Guiné-Bissau: da luta armada à construção do Estado Nacional

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Guiné-Bissau – Foto: Virginia Maria Yunes

Por dentro da África

Seção teses e Monografias

Instituição: Universidade Federal da Bahia

Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas 

Aluna de doutorado: Artemisa Odila Candé Monteiro

Guiné-Bissau: Da luta armada à construção do Estado Nacional – Conexões entre o discurso de unidade nacional e diversidade étnica (1959-1994)

Rio – Este trabalho, intitulado Guiné-Bissau: da luta armada à construção do Estado Nacional: conexões entre o discurso de unidade nacional e da diversidade étnica (1959 – 1994), tem como proposta analisar a construção do Estado Nacional na Guiné-Bissau durante o contexto de luta de libertação nacional de 1959 a 1994, visando refletir sobre as narrativas a respeito da identidade nacional em articulação com os conceitos de cultura, unidade nacional e diversidade étnica, alegorias referenciais no discurso fundacional do líder revolucionário Amílcar Cabral.

Este estudo se inscreve numa tradição de abordagem teórica que procura compreender as matrizes discursivas da identidade nacional, que vão desde 1959 – massacre de Pindjiguiti – até 1994 – período do chamado pluralismo político na Guiné-Bissau. A baliza cronológica de 1959 a 1994 justifica-se por ser o ano de 1959 um marco nos movimentos de reivindicações que visavam à luta pela independência, tendo como base o massacre de Pindjiguiti que impulsionou novos contornos nos movimentos nacionalistas bissau-guineense, forjando uma Frente Única de Libertação com o intuito de unir dois países para uma luta de libertação nacional, representado através do Partido Africano da Independência da Guiné- Bissau e Cabo Verde (PAIGC) com caráter binacional.

O ano de 1959 marca ainda o ressurgimento de Amílcar Cabral na vida política da Guiné-Bissau, o que mais tarde lhe conferiu o cargo de representante político dos interesses dos “filhos” da Guiné-Bissau e de Cabo Verde com vistas à descolonização. Por sua vez, o ano de 1994 se constitui num marco com o término do regime do partido único, caracterizando o novo período no Estado bissau-guineense, inclusive no âmbito das mudanças discursivas no tocante as novas alegorias fundantes do Estado nacional bissau-guineense. Ou seja, é o ano marco do renascimento da nação bissau-guineense, com adesão à democracia liberal, revestida de novos discursos que se direcionam para uma política étnica no Estado bissau-guineense.

Igualmente, 1994 é o ano marcado pela revisão constitucional que levou ao que ficou conhecido como a queda do artigo 4o da Constituição da República que preconizava o PAIGC “como partido único e legítimo dirigente e representante político da sociedade bissau- guineense”. Este artigo da Constituição atribuiu ao PAIGC o poder absoluto e legítimo desde a independência em 1973 até 1993, completando 20 anos de exercício do poder.

Priorizei, para análise nesta pesquisa, os grandes eventos desencadeados durante o processo colonial na Guiné-Bissau, desde os primórdios da colonização e o período da independência, que compreende a I República (Proclamação de Independência, 1973) que se estende até a abertura política partidária de 1994, considerada nesta pesquisa como o nascimento do novo Estado bissau-guineense.

Justifica-se esta escolha pelo fato de que o território conhecido hoje como Guiné- Bissau provém de fortes vínculos históricos e culturais entre os povos da Guiné, da região de Cassamance, no Senegal, e da Gâmbia atual, conhecido como Senegâmbia naquele período, e que veio a se desintegrar, devido à pressão externa de potências coloniais europeias (LOPES, 2012). Portanto, os primeiros ideais da nação na Guiné-Bissau não fugiram à regra da unidade histórica e cultural entre povos, baseada em um vínculo de pertencimento nacional dos povos.

Nesse ensejo, constrói-se uma identidade unida pelos laços históricos, impulsionando a criação do partido Estado conduzido pelo PAIGC (Partido Africano para Independência de Guiné-Bissau e Cabo Verde) sob a liderança de Amílcar Cabral.

Diante do objetivo da pesquisa, que é analisar o processo de construção da identidade nacional na Guiné-Bissau, observando os registros de discursos de Amílcar Cabral de unidade nacional no contexto da construção da nação, iremos considerar as configurações étnicas dessa nação e suas diferenças culturais.

Neste processo, interessa-me também, enquanto objeto de pesquisa, entender como se concebeu inicialmente o sentido da nação na gênese do Estado colonial. E como os bissau- guineenses transitam e se percebem como pertencentes a duas identidades, nacional e étnica, e qual a relevância destas identidades no cotidiano do país.

Para ler a íntegra, Guiné Bissau

Por dentro da África 


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