Ajuda humanitária e fotografia: Projeto de brasileiro auxilia comunidades em Uganda

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O fotógrafo brasileiro Bruno Feder em visita ao Sudão do Sul.
O fotógrafo brasileiro Bruno Feder em visita ao Sudão do Sul.

Por Jéssica Santos, Por dentro da África 

(estudante de Jornalismo da UFRJ) 

Rio – Um jovem paulistano tem levado esperança para comunidades africanas. A partir da venda de suas fotografias, Bruno Feder criou o projeto Cross Geographic, que faz registros e arrecada fundos para ONGs em países da África Central. A venda de suas fotografias já ajudou moradores de comunidades de Uganda.

– Eu sou fascinado pelo mundo e por sua diversidade étnica e cultural. Por isso, quis dar a minha contribuição. A ideia do Cross Geographic é identificar ONGs que não possuem recursos. Eu acompanho o trabalho dessas ONGs, produzo dois ensaios fotográficos (um institucional e outro para arrecadar dinheiro e reverter para melhorias nas comunidades) – explicou Bruno em entrevista exclusiva ao Por dentro da África.

South_Sudan_64_webA fotografia deixou de ser hobby para virar profissão quando as pessoas passaram a se interessar pelas imagens que Bruno fazia. Foi então que ele decidiu, em janeiro de 2014, ir ao ICP (International Center of Photography) para participar de três workshops. Durante o curso, o jovem de 31 anos conheceu a fotógrafa americana Louise Contino, que estava embarcando para Uganda. Louise fez o convite e Bruno aceitou ser seu assistente por alguns dias.

Bruno conta que a ideia de transformar as fotos em retorno financeiro para os moradores da região aconteceu naturalmente. Ele foi para Wanteete, em Uganda, ser assistente de Louise e, quando terminou seu trabalho, decidiu viajar sozinho pelo país. Neste período, ele percebeu que aquela região precisava de atenção. Faltava mobília, material escolar, uniformes, energia elétrica, saneamento básico e água tratada.

ugandaEm seu retorno ao Brasil, Bruno vendeu suas fotos na exposição Uganda Edition e criou o Cross Geographic. Somente em Uganda, Bruno conseguiu investir 20 mil dólares em ações de infraestrutura, educação e atendimento médico e dental no ano passado.

Uganda fica no leste da África e é o segundo país sem litoral mais populoso do continente. Com cerca de 37 milhões de pessoas, o país faz fronteira com o Quênia, Sudão do Sul, República Democrática do Congo, Ruanda e Tanzânia.

Além das ações realizadas na área da educação, casos especiais como o de Joyce, uma idosa que vive em Wanteete, que tinha câncer na garganta, foram solucionados graças ao trabalho do fotógrafo, que viabilizou a cirurgia. Bruno diz que a sensação de saber que está mudando o destino daquelas pessoas é muito gratificante.

– invisto muito do meu tempo, minha energia e até meu dinheiro para mudar e contribuir com um futuro melhor, principalmente, para as crianças, mas sozinho é muito difícil e pode ser frustrante, pois também enfrento dificuldades em lugares com tanta demanda para ter o básico de uma vida digna. Por isso, é muito bom ter o apoio dos interessados e amigos – completou o fotógrafo que está no Sudão do Sul realizando sua segunda visita a Confident Children Out Of Conflict (CCC), que apoia crianças órfãs e vulneráveis pela guerra que ainda se faz presente no país.

UgandaSegundo a ONU, a situação da segurança no Sudão do Sul se deteriorou de forma constante desde que um embate político entre o presidente Salva Kiir e seu ex-vice-presidente, Riek Machar, e suas respectivas facções, eclodiu em dezembro de 2013. As hostilidades posteriormente se transformaram em um pleno conflito, resultando em atrocidades relatadas e possíveis crimes de guerra.

– Passo meus dias interagindo com as crianças e acompanhando as assistentes sociais nos campos de refugiados, identificando os mais vulneráveis e dando orientação a essa gente que largou tudo o que tinha para viver em tendas em troca de segurança – conta o fotógrafo.

south_sudan_305_webBruno quer estudar e otimizar seu trabalho. Para o futuro, planeja fazer um curso de fotojornalismo e continuar trabalhando para melhorar a condição de vida da população em zonas de conflitos.

– Quero continuar expandindo o projeto, montar um time de fotógrafos e documentaristas para me acompanhar em novos destinos como Republica Centro-Africana, Somália, Sudão do Sul e Uganda..

Para conferir o trabalho do fotógrafo, acesse aqui

 


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