Dirigido por nigeriano, filme sobre orixás ganha versão especial para internet

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Captura de tela 2015-04-02 às 00.09.01Por dentro da África

Rio – Enquanto produz o longa-metragem sobre Oyá (ou Iansã) deusa dos ventos, relâmpagos e tempestades, o diretor de origem nigeriana disponibilizou (de forma gratuita) a versão curta do filme Oya: rise on the Orisha. Nosa Igbinedion, que hoje vive em Londres, destaca que, em sua obra, há referências aos ancestrais e histórias de pessoas que foram tocadas por essas entidades. Ele acrescenta que orixás como Ogun (deus do ferro e da tecnologia) seriam maravilhosos se explorados no contexto dos dias de hoje.

– A ideia sempre foi fazer um filme completo, mas como é um filme que não foi feito antes, eu quis realizar um teste tanto em relação ao público quanto em relação aos potenciais investidores. Nossos próximos passos são: explorar a cosmologia dos orixás e ampliar o elenco. Eu venho olhando atores do Brasil, Nigéria e EUA e planejando fazer cenas no Brasil – disseIgbinedion em entrevista exclusiva ao Por dentro da África.

No ano passado, a versão curta do filme estreou no Festival de Cinema de Matatu em Oakland, na Califórnia. Ela também foi exibida em vários festivais de cinema ao redor do mundo, do Brasil, Nigéria, Europa e assistida mais de 160 mil vezes no YouTube.

Igbinedion revela que a ideia surgiu enquanto ele produzia um vídeo e decidiu que uma mulher poderia ser uma deusa, uma heroína. Ele lembra que ficou obcecado pelo plano de apresentar a espiritualidade africana nos dias de hoje. Então, decidiu que o seu próximo filme seria sobre os “deuses” africanos!

– Eu escolhi este tema por uma variedade de razões. Em primeiro lugar, porque eu precisava me expandir criativamente e, em vez de seguir o que foi feito antes, eu queria sair em território desconhecido e realmente ousar como artista. O tema do orixá raramente é abordado no cinema, então, foi estimulante! Eu cresci no meio de histórias míticas sobre antigos reis e deuses e não vi essas histórias nos cinemas ou na TV, então, decidi que eu iria fazer isso!

Confira a reportagem especial aqui! 


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9 COMENTÁRIOS

  1. Muito bom.Para nós educadores de arte educação e militantes ,isso é muito bom!realmente inédito no Brasil muito boa iniciativa principalmente para o ensino de historia do negro lei 10.639.super importante sim.Parabéns e muito sucesso.

    • Talvez sim, talvez não. Acho que é cedo pra dizer. O filme Besouro, que é nacional e também envolve essa pegada da matriz africana, fez o maior sucesso aqui (e fora também). Eu sou católica e só dever esse curta já me animei muito pra ver o filme, me pareceu muito interessante.

      • Infelizmente acho que o Alexandre dos Santos Paula tenha razão. Há um recrudescimento do ódio e intolerância religiosa direcionada às religiões de matriz africana. o Filme Besouro, já tinha abordado o tema dos Orixás e , talvez , por conta do preconceito tenha sido pouco visto. Vi, inclusive, pessoas criticando o filme por tocar nesse tema diziam ” Um filme que fala em macumba, não quero nem ver”. Uma pena que muitos brasileiros não queiram conhecer as tradições ancestrais africanas, das quais somos herdeiros.