Moçambique está entre os países que precisam enfrentar bolsões de fome

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Foto de Helvisney Cardoso – UNDP Moçambique

Com informações da ONU

Um novo relatório apresenta 20 países e contextos com maior risco de piora da insegurança alimentar aguda. A situação que empurra as pessoas para a fase de emergência se deve à combinação de conflitos, do declínio econômico, de eventos climáticos extremos e dos impactos da pandemia.

Moçambique está entre 16 países correndo “alto risco de apresentar níveis crescentes de fome aguda”, diante de um cenário global apontando novos recordes nos níveis de insegurança alimentar aguda.

A situação é impulsionada por uma combinação de fatores incluindo recentes episódios de expansão e intensificação da violência, deslocamento de civis e interrupção de sistemas e mercados alimentares.

O estudo das Nações Unidas identifica quatro países com áreas que estão na iminência de fome e as condições agravarão em meses: o Burkina Fasso, na região africana do Sahel, o nordeste da Nigéria, o Sudão do Sul e  o Iêmen.

A Análise de Alerta Precoce de Pontos de Insegurança Alimentar Aguda foi publicada esta sexta-feira pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, e pelo Programa Mundial de Alimentos, PMA.

O relatório destaca ainda que ações urgentes devem ser tomadas para evitar uma grande emergência,  ou uma série delas, nos próximos três a seis meses.

O acesso humanitário e a prontidão dos doadores para continuar a financiar operações humanitárias deverá evitar que mais pessoas enfrentem insegurança alimentar aguda em partes de Afeganistão, Burquina Fasso, Camarões, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Níger, norte da Nigéria e Sudão do Sul. Em outubro, mais de 1 milhão de pessoas ficaram em situação de insegurança alimentar aguda de emergência.

Moçambique

Sobre o contexto moçambicano, o relatório destaca que o plano de resposta à pandemia  levou a um apelo de emergência de US$ 68,1 milhões. Até agora, a iniciativa teve um financiamento de US$ 19,4 milhões, o equivalente a 28,5%.  A resposta à situação de violência na província de Cabo Delgado requer US$ 35,5 e teve 78,6% dos fundos.

O número de pessoas que enfrentam uma crise ou emergência alimentar pode ter chegado a 1,7 milhão entre outubro 2019 e fevereiro de 2020. A última análise em sete distritos das províncias de Tete e Cabo Delgado estimam que durante a estação seca, entre outubro e novembro, o número de pessoas enfrentando crise alimentar ou emergência aumentará para 285 mil.

A insurgência provoca insegurança alimentar no norte da província de Cabo Delgado, que tem a segunda maior taxa de doenças crônicas e desnutrição. O número de deslocados deve ter triplicado, quando comparado ao início deste ano, tendo ultrapassado 300 mil.


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