Moçambique: Pacientes com HIV pararam tratamento em áreas afetadas pelos ciclones

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Com informações da ONU News

*Cobertura de Alexandre Soares em parceria com o Sistema das Nações Unidas em Moçambique.

Na noite de 25 de abril, o ciclone Kenneth entrou pela costa da província de Cabo Delgado, no extremo norte de Moçambique, e destruiu a casa de Luísa Maio na vila de Macomia. A moçambicana vive com HIV. Três dos seus quatro dos seus filhos vivem na mesma situação. Preocupada em reconstruir a casa e encontrar o que comer, a família parou com os tratamentos antivirais.

Em todos os locais atingidos pelos ciclones Kenneth e Idai, aconteceu o mesmo. Segundo uma análise do Ministério da Saúde, apoiada pelas Nações Unidas, houve uma queda de 50% no número de consultas de acompanhamento. O número de pessoas em tratamento também caiu para cerca de metade.

Quatro semanas depois do ciclone, Luísa e a família receberam a visita de Melita Baka, uma ativista comunitária de uma iniciativa apoiada pela ONU e a Fundação Ariel Glaser contra o Sida Pediátrico. A agente comunitária e as suas colegas visitam casas de famílias que vivem com HIV ou estão em risco, explicando a importância de fazer diagnostico e seguir um tratamento.

Melita acompanha Luísa e os filhos há vários anos. Quando a ativista a encontrou, ela explicou que não estava tomando a medicação. Tinha perdido o cartão de identificação do hospital e estava ocupada a tentar sobreviver.

“Nós tivemos muitas dificuldades no campo porque para muitos pacientes a prioridade era procurar alimentação e abrigo, não o tratamento, então tivemos de andar de casa. Muitos tiveram mudança de residências, uns reiniciaram, outros não reiniciaram”, contou a ativista.

Melita ajudou Luísa e a família a regressar aos tratamentos. Uns meses depois, no entanto, Anísio, o filho de 10 anos que ainda vive com Luísa, estava a reagir mal aos tratamentos. O menino está subnutrido, e quando toma os antivirais fica doente, com os lábios inchados.

Diretora do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Sida, Onusida, em Moçambique, Eva Kiwango, ONU News

A diretora da Unaids em Moçambique afirma que o governo do país está empenhado com o fim desta epidemia. Segundo ela, “existe muita liderança, força e compromisso com políticas progressivas e com o objetivo de alcançar os objetivos até 2020.”

Eva Kiwango lembra que Moçambique “é um dos poucos países em África onde os trabalhadores sexuais e os homens que fazem sexo com homens não são criminalizados.”

Apesar disso, a representante diz que “ainda é necessário resolver o problema do estigma e discriminação contra as pessoas que vivem com HIV, para garantir que ninguém é deixado para trás.”

Leia a reportagem completa aqui 


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