Doação de órgãos por peças de grife: ação social na África do Sul quer alcançar 800 novos doadores

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Divulgação - Native Natalia da Luz – Por dentro da África

Rio – Uma permuta responsável que traz benefícios, não apenas para o vendedor ou comprador, vem ganhando repercussão em todo o mundo. A campanha abrigada em uma boutique da Cidade do Cabo, na África do Sul, tem como propósito oferecer “vida” aos que aguardam por um transplante de órgãos. Na autêntica loja, o cliente escolhe uma peça desenhada por um famoso estilista sul-africano e, como pagamento, preenche um formulário tornando-se um doador de órgãos, podendo salvar até sete vidas!

– Nós nos aproximamos da Organ Donor Foundation (Fundação de Doadores de Órgãos) com a ideia de criar a boutique. Até agora, sabemos que essa é a primeira loja que não aceita pagamento em dinheiro ou cartão de crédito, apenas com o ato de se registrar como doador de órgãos – disse em entrevista exclusiva ao Por dentro da África Ben Wagner, responsável pela agência Native.

Divulgação - Native Ben conta que o espaço para receber as centenas de peças foi gentilmente cedido pelo shopping Cavendish Square, na Cidade do Cabo. Dentro da loja nomeada Exchange, ele explica que há dois assistentes: um da Organ Donor Foundation que responde às dúvidas dos “clientes” sobre a doação e outro que auxilia na escolha da peça e no preenchimento do formulário.

– A Exchange foi preparada especialmente para esse projeto e só fechará quando todas as roupas acabarem. Reunimos 25 estilistas sul-africanos como Lunar, Catherine Moore, L&K e SilverSpoon, que produziram voluntariamente 800 peças. Nós ainda temos cerca de 100 itens que acredito que sejam levados até esse final de semana. Quando a loja fechar, essa etapa do projeto será concluída – explicou.

A iniciativa vem movimentando, desde o dia 10 de maio, o shopping localizado na cidade sul-africana de 3,7 milhões de habitantes. Pelo comprometimento, o teste no sul do país merece contagiar outras cidades, e Ben confessa que já tem planos para repetir a ideia em Johanesburgo, maior cidade do país, com 7 milhões de habitantes.

Exchange

Divulgação - NativeO conceito para o Exchange foi concebido por Ryan McManus, diretor-executivo de criação da Native. Ele acredita que a moda tem sido, normalmente, sinônimo de consumismo e que, durante esse processo de criação, a sua busca é por uma nova moeda de troca: a doação de órgãos.

A agência trabalhou em parceria com a Fundação de Doadores de Órgãos, que busca exaustivamente aumentar o número de doadores no país. Samantha Volschenk, diretora-executiva da fundação, afirmou que a campanha já causou um enorme impacto na organização. Em comunicado à imprensa, ela ressalta que para cada registro, sete vidas podem ser salvas.

Doação no país

Uma campanha como essa produz reflexão e discussão para um tema que não diz respeito apenas aos diferentes grupos sociais e étnicos que compõem a África do Sul, país de 11 línguas oficiais, mas a toda a população, que se beneficiará com o incremento de doadores.

Divulgação - Native– O percentual de doadores de órgãos é muito pequeno, inferior a 1% da população. Nós temos a meta de conseguir 800 novos doadores nesse período, o que seria um enorme sucesso para o país – compartilhou Ben.

Comparação com o Brasil

O objetivo do Ministério da Saúde do Brasil é chegar, em 2015, a 15 doadores por milhão de população, e parece que não será um caminho difícil. No primeiro quadrimestre do ano passado, segundo dados do governo, o país já havia batido a meta de doações de 2013, com 13,6 doadores de órgãos por milhão de população.

No período, foram realizados 7.993 transplantes, crescimento de 37% comparado ao ano de 2011, quando foram notificados 5.842. Os órgãos que mais impulsionaram o desempenho dos transplantes no Brasil foram coração, pulmão, rim e fígado.

Gráfico sobre transplantes na África do Sul Hoje na África do Sul, segundo a Fundação de Doadores de Órgãos, há cerca de 4.300 adultos e crianças esperando por um transplante de órgão ou córnea. De acordo com o relatório, no ano passado, foram realizados 573 transplantes (de órgãos e córneas). Os principais foram: coração (24 adultos e 3 crianças), pulmão (8 adultos) e fígado (28 adultos, 3 adolescentes e 4 crianças). No ano anterior, em 2011, o número foi de 556 (de órgãos e córneas).

Divulgação - NativeO tema relembra um fato que colocou o país no centro do mundo na década de 60. A Cidade do Cabo foi sede do primeiro transplante de coração. Em 1967, o médico Christiaan Barnard operou Louis Waskansky, de 53 anos, o primeiro homem a receber o coração de outra pessoa. Waskansky faleceu 18 dias depois da cirurgia histórica, em consequência de uma infecção pulmonar. Mesmo assim, a operação pioneira foi considerada absolutamente bem-sucedida.

Ben destaca que o objetivo da Native, com a repercussão de sua initiativa, é fechar o ano perto dos mil novos doadores. Um exemplo para estimular a “moeda social”, que pode salvar muitas vidas!

Por dentro da África