África sofre com pico de COVID-19 e hospitais estão próximos do colapso, informa OMS

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Brazaville, Congo – Foto de OMS

Com informações da ONU Brasil

As mortes de COVID-19 na África aumentaram drasticamente nas últimas semanas, em meio ao aumento mais rápido de casos de pandemia que o continente já viu, relatou o escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) na quinta-feira (15).

As fatalidades estão aumentando à medida que as internações hospitalares aumentam rapidamente e que os países do continente enfrentam escassez de oxigênio e leitos de terapia intensiva.

As mortes de COVID-19 aumentaram em mais de 40% na semana passada, chegando a 6.273, quase 1.900 a mais que na semana anterior. O número é próximo ao pico de 6.294, registrado em janeiro.

Alcançando o ‘ponto de colapso’ – “As mortes aumentaram vertiginosamente nas últimas cinco semanas. Este é um claro sinal de alerta de que os hospitais nos países mais afetados estão chegando ao ponto de colapso”, disse diretor regional da OMS para a África, Matshidiso Moeti.

Moeti explicou que os sistemas de saúde com poucos recursos nos países estão enfrentando uma terrível escassez de profissionais de saúde, suprimentos, equipamentos e infraestrutura necessários para fornecer cuidados a pacientes com COVID-19 gravemente doentes.

A taxa de mortalidade na África, que é a proporção de mortes entre os casos confirmados, é de 2,6% em comparação com a média global de 2,2%.

Entre os países mais afetados no momento estão Namíbia, África do Sul, Tunísia, Uganda e Zâmbia, com 83% das mortes recentes.

Seis milhões de casos – A OMS informou ainda que os casos de COVID-19 no continente aumentaram por oito semanas consecutivas, chegando a seis milhões na terça-feira (13).

O último milhão de casos foi registrado em apenas um mês, marcando o menor tempo para atingir esse marco sombrio. Comparativamente, demorou cerca de três meses para que os casos saltassem de quatro milhões para cinco milhões.

Variantes impulsionam o aumento – O aumento está sendo impulsionado pelo cansaço público com as principais medidas de saúde e um aumento da disseminação de variantes do vírus.

A variante Delta, a mais transmissível entre as conhecidas até o momento, foi detectada em 21 países do continente, enquanto as variantes Alfa e Beta foram encontradas em mais de 30 países cada.

Globalmente, existem quatro variantes do vírus causador da COVID-19 que causam preocupação. Na quarta-feira, uma reunião do comitê de emergência da OMS em Genebra alertou sobre a “forte probabilidade” de novas e possivelmente mais perigosas variantes emergirem e se disseminarem.

Apoio da OMS – A OMS está trabalhando com os países africanos para melhorar o tratamento de COVID-19 e as capacidades de cuidados intensivos.

A agência da ONU e seus parceiros também estão entregando cilindros de oxigênio e outros suprimentos médicos essenciais, além de apoiar a fabricação e o reparo de instalações de produção de oxigênio.

“A prioridade número um para os países africanos é aumentar a produção de oxigênio para dar aos pacientes em estado crítico uma chance de lutar”, explicou Moeti. “O tratamento eficaz é a última linha de defesa contra a COVID-19 e não deve desmoronar.”

O número crescente de casos ocorre em meio a suprimentos insuficientes de vacinas. Até agora, 52 milhões de pessoas na África foram inoculadas, o que representa apenas 1,6% do total de vacinações de COVID-19 em todo o mundo.

Enquanto isso, cerca de 1,5% da população do continente, ou 18 milhões de pessoas, estão totalmente vacinadas, em comparação com mais de 50% em alguns países de alta renda.

Acompanhe números sobre o COVID-19 no continente africano pela página da OMS para a África


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