As múltiplas influências do jazz na música da África do Sul

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Joe Masuku – Reprodução

Natalia da Luz, Por dentro da África

Durban – A música sul-africana é o retrato da diversidade cultural de um país que possui 11 línguas oficiais, de múltiplas etnias, estilos, ritmos. Ao longo dos dois últimos séculos, essa riqueza foi moldada e teve um componente especial agregado. Em qualquer canto das cidades sul-africanas, é possível escutar o jazz mesclado aos estilos tradicionais da música nascida e construída por aqui.

Originário de Nova Orleans, no início do século XX, a partir da cultura popular de comunidades negras dos Estados Unidos, o estilo produziu uma variedade de subgêneros, como o dixieland de 1910, o bebop de 1940, o jazz latino de 1950 e 1960 e o fusion de 1970 e 1980.

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Cape Town Jazz nos anos 60 – Danayi Dlova, Duke Ngcukana e Cups Nkanuka – Divulgação

Na África do Sul, o jazz começou a despertar por volta dos anos 60 com tantos nomes importantes que parece injusto citar. Três deles estão na foto acima: Danayi Dlova, Duke Ngcukana e Cups Nkanuka.

Antes dele, bem no início do século XX, já eram familiares o marabi (que predominava nas favelas sul-africanas e reunia o piano junto de outros instrumentos), corais gospel (dois dos mais famosos são o Coral Gospel de Soweto e Landysmith Black Mambazo), mbube (que se tornou popular entre os zulus e foi chamado de capela) e música afrikanner (influência dos holandeses e alemães).

Sul-africanos dançando marabi em Sophiatown – Crédito – CNN

Em 1950, os estilos tradicionais ganharam mais espaço nas rádios, principalmente, na rádio Bantu, que estimulava a produção de populações nativas. Na década seguinte, foi a vez do soul e jazz ganharem o país. Depois veio o punk, rock, reggae, kwaito (sensação das favelas sul-africanas nos anos 2000), “drum and base”.

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Nascida em Johannesburg, cidade que abriga diferentes festivais de jazz, a cantora Zoe Masuku contou que, ao longo dos anos, o estilo cresceu recebendo uma série de influências dos Estados Unidos, da África do Sul e de fora do continente.

-A minha definição pessoal do jazz sul-africano é o fato de incorporarmos a nossa música ao jazz americano, o fato de usá-lo para unir aos nossos estilos e ritmos que são tão particulares. Nós ajustamos ele ao nosso próprio som – disse a cantora ao Por dentro da África.

Hugh Massakela – Divulgação

Trompetista, compositor e vocalista, Hugh Masekela (nascido em 1939) é um dos gigantes do jazz da África do Sul. Ele começou a carreira tocando na banda Epístolas, em 1950. No período do apartheid, viveu em exílio e quando retornou para a África do Sul, em 1990, aumentou ainda mais a sua legião de fãs.

Abdullah Ibrahim - Divulgação
Abdullah Ibrahim – Divulgação

Pianista e compositor, Abdullah Ibrahim (nascido em 1934) foi influenciado pela música de vanguarda dos anos 60. Após gravar a sua obra-prima, “Manenberg” (a música que também dá nome a uma township da Cidade do Cabo), ele conquistou a vaga entre os maiores músicos da África do Sul. O trabalho de Abdullah reflete muitas das influências musicais durante a sua infância em áreas multiculturais da Cidade do Cabo.

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Miriam Makeba – Divulgação

Miriam Makeba (1932 – 2008) começou sua carreira musical como vocalista no Manhattan Brothers, em 1954. Quando ela participou do documentário antiapartheid ‘Come Back, Africa’, teve o passaporte anulado e passou a viver em exílio nos Estados Unidos, onde gravou “Pata Pata” (sucesso regravado em todo o mundo em diferentes línguas). O seu retorno à África do Sul só aconteceu em 1980, ainda durante o apartheid.

Cid, músico do Napalma, banda formada por um brasileiro e um moçambicano, vivencia essa proximidade com o jazz. Com vocal, percussão, programação eletrônica, backing vocals, o Napalma já fez mais de 800 shows em 12 anos de estrada, muitos deles em festivais de jazz na África do Sul.

-Realmente, por aqui, eles gostam muito do jazz. Tem uma ótima aceitação tanto na África do Sul quanto também em Moçambique. Acho que, por toda parte, os artistas usam seus ritmos locais e mudam a “pegada” do jazz. Eles dão um toque africano no jazz, o que fica incrível – disse Cid ao Por dentro da África.

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NaPalma no palco – Divulgação

Com diferentes festivais ao longo do ano, o jazz sul-africano está sempre na moda. Revitalizado pelas novas gerações, ele é motivo de grandes encontros por aqui. Entre os mais famosos estão o Cape Town Internacional Festival (que acontecerá entre os dias 31 de março e 1 de abril de 2017).

Referido carinhosamente como o “Maior Encontro da África”, o festival vai para a sua 18ª edição e se orgulha de ser o maior evento musical da África Subsaariana. Todos os anos, mais de 40 artistas do continente e de fora dele se apresentam para mais de 40 mil pessoas.

Mariam e Amadou – Dupla do Mali foi atração do último Festival de Jazz em Cape Town

-A nossa música é muito rica. Eu encorajo vocês a ouvir e a conhecer mais ao jazz sul-africano para saber sobre a cultura, a história e sobre tudo o que a África do Sul representa – disse Zoe.

Por dentro da África viajou a convite da South African Air Ways e South African Tourism

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